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Relação entre a Obesidade e a Coordenação Motora

2 de março de 2018
Atividade Física, Infância



Mas, qual seria a relação entre a obesidade e a coordenação motora? Será que crianças obesas são menos habilidosas, mesmo “brincando na rua”?

A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO, 2016) estima que 15% das crianças brasileiras estão na faixa de sobrepeso e obesidade.

Precisamente na região Sul do país, das crianças entre 05 e 09 anos de idade 35,9% estão entre a faixa de sobrepeso e obesidade, e na mesma faixa encontram-se 24,6% das crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos de idade.

Vale ressaltar que os portadores do sobrepeso na infância podem ser os prováveis obesos nas fases futuras. Por esse motivo o controle do peso na infância é de extrema importância para a promoção de uma melhor qualidade de vida no presente e no futuro (ABESO, 2016).

Mais uma vez aponto a necessidade de extremo cuidado ao afirmar positivamente essas indagações. Ainda é preciso avançar muito na pesquisa quanto ao desenvolvimento motor em crianças. Seria muito simples afirmar que pelo fato de ter que suportar maior peso, a criança obesa movimenta-se com maior lentidão, e apresenta maior dificuldade de equilíbrio.

Mas, é preciso estar muito atento às exceções. Por exemplo, no estudo de De Bom et all (2017), a maior parte das crianças com sobrepeso, obesidade e obesidade grave apresentaram níveis de coordenação motora ineficientes, mas houve uma exceção, de uma criança com obesidade que isoladamente apresentou nível de coordenação motora boa.

Catenassi et all (2007) ao correlacionar o IMC (índice de massa corporal) com a coordenação motora conclui que não houve correlação entre as variáveis para todos os perfis antropométrico das crianças e ainda salienta que não há como classificar veementemente crianças obesas ou sobrepesadas como inabilidosas, mesmo que em outros estudos apresentem dados isolados que coloquem as crianças com esse perfil com certa dificuldade para atingir níveis de coordenação motora satisfatória.

Aponto nesse caso, a necessidade de maiores investigações quanto a análise dos padrões desses movimentos com população estritamente de crianças com sobrepeso e obesidade, fato esse que implica num recrutamento com rigores éticos muito bem fundamentados, afim de não expor essas crianças em situações comparativas vexatórias.

Contudo, a atenção rigorosa quanto ao estado nutricional das crianças continua sendo imprescindível, devido a associação da prevalência de obesidade com as síndromes metabólicas tais como a diabetes e a hipertensão, entre outras, ao longo da vida.

É justamente nesse ensejo que o nível de atividade física se apresenta como uma das ações de erradicação para todos os perfis antropométricos, ou seja, crianças, magras, eutróficas, sobrepesos, ou obesas, podem e devem estar submetidas a prática de exercícios físicos orientadas e/ou associadas ao brincar livre.

Ao analisar a coordenação nas duas esferas, não há como seccionar as dimensões biológicas e sociais; a não ser especificamente para estudo; uma vez que o movimento humano é proveniente da associação entre os domínios físico, motor, cognitivo e social.

Assim, o ambiente externo sempre será um fator de análise minuciosa para a compreensão da tarefa motora no desenvolvimento infantil. Seja na escola, em casa, em escolinhas de treinamento desportivo, em academias ou na rua, a criança desempenhará a habilidade voltada para um objetivo de acordo com a influência do próprio ambiente, e dos agentes que mantêm relação durante a tarefa a ser realizada.

Dessa forma, para estabelecer um conceito de melhor ou pior coordenação motora sempre partirá de um ponto de referência comparativo, já que baterias e testes de coordenação motora em crianças são por vezes validados com populações de outras culturas, indicando pontos de cortes muitas vezes aquém do ponto de partida num viés social de outras crianças que são submetidas a tal bateria.

Mesmo assim, de forma alguma coloco em cheque a aplicabilidade de testes de coordenação motora em crianças, mas saliento a importância de analisar os dados nas dimensões biológicas e sociais, levando em consideração vários aspectos tais como: quem aplicou o teste, o ambiente de prática para saber se houve a presença de muitos ruídos ou não, interferindo na concentração, a explanação do teste às crianças e se as mesmas realizaram os testes individualmente ou em grupos. São pequenos detalhes que fazem muita diferença durante a análise dos dados.

Saiba mais (clicando aqui) sobre outros aspectos influenciadores na coordenação motora em crianças. (Artigo completo)

 


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  • Fonte: Profª. Ma. Francine Costa De Bom

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