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“As crianças que brincam na rua possuem melhor coordenação motora.” Será verdade?

17 de fevereiro de 2018
Atividade Física, Infância



Corriqueiramente houve-se falar que as crianças com oportunidades de brincarem livremente na rua adquirem melhor coordenação motora, e que frequentemente seriam crianças que habitam periferias de perímetros urbanos, muitas vezes estudantes de escolas públicas.

Antes de atestar qualquer afirmação é preciso analisar as fontes dos discursos e os envolvidos no processo. Nesse caso, parece simples constatar empiricamente que quanto mais livre para explorar o ambiente externo, maior possibilidade de acúmulo de experiências motoras, e portanto, estaríamos diante de uma criança com coordenação motora eficiente. De fato isso procede e é possível de se constatar, no entanto, não pode ser levado como uma verdade absoluta, a ponto de suprimir exceções.

Sintetizo portanto afirmando que, é preciso analisar quais ambientes podem proporcionar um acúmulo de experiências motoras eficazes. A rua é sim um vasto e excelente ambiente, mas não é o único. As escolas, as academias, os clubes, o pátio de casa, e até mesmo o quarto da criança pode ser um rico espaço para experiências significativas com o movimento.

Dessa forma, não é o ambiente físico um agente único para a determinação de excelente ou péssima coordenação motora, mas sim, as relações sociais travadas no mesmo, ou seja, quem propõe a prática e como ela é desenvolvida.

A criança tem rotina com a prática de atividade física? A criança tem oportunidade para a prática de atividade física? Refiro-me aqui a prática orientada por profissionais da área, e também aquela vinculada ao brincar livre. Ambas são estritamente necessárias. Dançar na sala de casa, pular corda no quarto, pular no colchão, um pega-pega no quintal de casa, são alguns exemplos de um brincar livre e quando combinadas com sessões orientadas em modalidades como: futebol, balé, jiu jitsu, circuito funcional entre outras torna-se excelentes acervos para a construção de uma história positiva com o movimento humano ao longo da vida. Basta portanto que a cultura familiar esteja a favor dessa construção positiva, e isso pode acontecer com crianças que moram em casa ou em apartamento, crianças de classe social média, baixa ou alta, crianças de escolas públicas ou privadas.

Sobre esses universos, em um estudo recente (De BOM et all,2017)  abordou o nível de coordenação motora em crianças com faixa etária entre 05 e 06 anos de idade, estudantes de uma escola pública e privada, constatou níveis equivalentes entre os grupos, estando ambos em sua maioria com coordenação motora normal para a idade, o que atesta que nem mesmo o nível socioeconômico pode ser determinante para as afirmações empíricas de melhor ou pior nível de coordenação motora.

É preciso que os pais estejam atentos à rotina dos filhos, evitando excessos nas duas pontas ou seja: excesso de inatividade física e excesso de atividades para além da escola, que impeçam a criança de brincar livremente com o seu corpo. O equilíbrio é sempre bem-vindo, assim como refletir quanto aos benefícios de uma boa coordenação motora na infância. Para esse último vale lembrar que nada tem a ver com a formação de atletas ou de um corpo perfeito já na infância, mas sim com a possibilidade de formar um cidadão que conheça as possibilidades do seu corpo e que se sinta feliz em movimentar-se vencendo os desafios do seu tempo. Assim a coordenação motora passa ser mais um componente na formação do humano.

Como proporcionar essa rotina equilibrada às crianças a gente conversa no próximo artigo!


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  • Fonte: Profª. Ma. Francine Costa

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